Após prisão na Lava Jato, DER-PR tem novo diretor-geral que afirma considerar operação um ‘equívoco’

A pós a prisão de Nelson Leal Junior na quinta-feira (22), na 48ª fase da Operação Lava Jato, Paulo Montes Luz foi nomeado novo diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER-PR), ainda na quinta.

Paulo Montes Luz disse, durante uma entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (23), que considerou a operação um “equívoco”.

“A inclusão do DER na Lava Jato, no meu entender, não como diretor-geral do DER, mas como pessoa, eu acho que foi um equívoco”, afirmou.

Ele ainda disse que o DER-PR estava colaborando com as investigações e que o Tribunal de Contas da União (TCU) não levou em conta os documentos apresentados.

“Muita coisa que foi falada é um troço que chama a atenção: ‘uma ferida aberta’. Mas o problema é o seguinte, se nós não tivéssemos tomado nenhuma providências com esses termos aditivos ajustando os contratos, sim, essa ferida ficaria aberta”, disse o novo diretor-geral.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), um estudo apresentado pelo TCU, em 2012, mostrava que a tarifa de pedágio poderia ser reduzia em 18%, mas o que houve foi um aumento de 25%. Assim, o valor ficou mais caro por causa de aditivos ao contrato, justificados pelo DER-PR.

“Envolver o DER nessa jogada não faz sentido, pelo menos aqui no nosso nível de conhecimento que a gente sabe que está acontecendo hoje em termos de pedágio aqui no Paraná”, afirmou Paulo Montes Luz.

O procurador jurídico do DER-PR, Edson Luiz Amaral, também falou na coletiva de imprensa: “Todas as possíveis maracutaias que possa existir entre a concessionárias e as empresas contratadas por ela, se houver um sobrepreço, isso não incide na tarifa do pedágio”, pontuou.

“Estamos tentando regularizar uma situação que, lá na frente, não venha dar mais prejuízo para o povo paranaense. Nós aceitamos essa herança de 1997. Estamos tentando regularizar isso”, disse Edson Luiz Amaral.

Diretor-geral preso e afastado

Nelson Leal Junior era o diretor-geral do DER-PR e foi afastado do cargo, por determinação do governador Beto Richa (PSDB), no mesmo dia na prisão.

Nelson foi indicado, em 2013, ao cargo por José Richa Filho, irmão do governador. Pepe Richa – como é mais conhecido – é secretário de Infra-estrutura e Logística do Paraná.

48ª fase da Lava Jato

A atual fase da Lava Jato, batizada de Integração, apura corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro na gestão das concessões rodoviárias federais do Paraná. Seis pessoas foram presas temporariamente.

Conforme o MPF, a investigação mostra “reais causas” de alto preço do pedágio no estado.

Suspeitas

Em depoimento ao procurador do MPF Diogo Castor de Mattos, Nelson Leal Junior negou todas as acusações que caem sobre ele.

No pedido de prisão, o MPF argumentou que Nelson vinha usando o cargo para editar atos em favor das concessionárias.

Ele participava do grupo de trabalho nomeado pelo governador para estudar a renovação dos atuais contratos de concessão.

Nelson Leal Junior foi preso nesta quinta-feira (22) na 48ª fase da Lava Jato (Foto: Reprodução/ RPC Curitiba)Nelson Leal Junior foi preso nesta quinta-feira (22) na 48ª fase da Lava Jato (Foto: Reprodução/ RPC Curitiba)

Nelson Leal Junior foi preso nesta quinta-feira (22) na 48ª fase da Lava Jato (Foto: Reprodução/ RPC Curitiba)

Pagamento em dinheiro

Segundo as investigações, Nelson Leal Junior comprou um apartamento de luxo em Balneário Camboriú (SC) por R$ 2,5 milhões sem declarar à Receita Federal.

Além disso, cerca de R$ 500 mil do valor total foram pagos em espécie ou, conforme dito pelo MPF, com recursos que não tiveram a origem identificada.

Durante o depoimento, Nelson Leal Junior disse que não costuma pagar despesas pessoais em espécie.

Ainda conforme o MPF, o diretor do DER-PR teria alugado uma embarcação de sessenta pés para o verão de 2017 que custou de R$ 16 mil para utilizar em dois dias. Os valores foram depositados em espécie na conta do titular da empresa, ainda de acordo com os procuradores.

Os gastos de combustível e marinheiro, que giravam em torno de R$ 4 mil, também eram pagos em espécie por Nelson Leal Junior.

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