Trump diz que deixará Casa Branca se perder no colégio eleitoral

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse aos jornalistas, pela primeira vez, que deixará a Casa Branca se o democrata Joe Biden for o mais votado pelos delegados no colégio eleitoral, no próximo dia 14 de dezembro, causando uma nova derrota ao republicano além das urnas.

No entanto, o mandatário voltou a dizer que não sabe se comparecerá à posse de Biden, no dia 20 de janeiro de 2021, em ato inédito na história moderna da democracia norte-americana.

Além disso, Trump disse novamente – sem provas – que houve fraudes nas eleições. Até o momento, em mais de 30 ações judiciais abertas por sua defesa, não houve nenhuma constatação de qualquer tipo de crime eleitoral.

Trump perdeu as eleições de 3 de novembro no voto popular, mesmo tendo superado a quantidade de votos que obteve nas eleições de 2016. Ainda há estados contabilizando o sufrágio, mas dados informados nesta quarta-feira (26), mostram que Biden tem mais de 80 milhões de votos, um recorde absoluto, contra cerca de 73,8 milhões para Trump.

No entanto, nos Estados Unidos, as eleições não são diretas e os eleitores definem quem seus delegados irão votar no chamado colégio eleitoral. Conforme os resultados até o momento, o democrata tem 306 grandes eleitores contra 232 do republicano, sendo que são necessários 270 delegados para um presidente ser eleito.

Todos os estados têm até o dia 8 de dezembro para certificar seus resultados e resolver qualquer tipo de pendência jurídica, seis dias antes da reunião do colégio eleitoral, que neste ano será no dia 14. Nada obriga os delegados a votarem em quem os eleitores de seu estado desejam, porém, por determinação da Suprema Corte, aqueles que não respeitarem os resultados estaduais poderão sofrer “duras punições”.

Segundo dados do governo norte-americano, até hoje, foram 180 os grandes eleitores a irem contra a decisão estadual, mas isso não afetou o resultado das eleições nas urnas.

O pleito de 2020 é o primeiro na história moderna do país a ver o derrotado – com exceção de 2000, mas nesse caso já havia uma pendência na Suprema Corte – não reconhecer a vitória do adversário. Apesar de não fazer o gesto formal, Trump autorizou que seus secretários dessem início ao processo de transição de poder.