Governo do Paraná não prorroga mandato de diretores de escolas que ficaram abaixo das metas

Sindicato questiona critérios adotados pela secretaria, como a participação dos estudantes nas aulas não presenciais, e diz que vai entrar na Justiça; eleição para novos diretores não tem data.

Diretores e auxiliares de escolas estaduais que não cumpriram critérios estabelecidos pela Secretaria de Educação do Paraná (Seed) não terão os mandatos, que terminam neste mês, prorrogados até julho de 2021. Esses diretores estão sendo comunicados pela pasta.

Sem data para a eleição que vai definir mais de 1,7 mil diretores, que foi suspensa pela Justiça, o governo estadual decidiu pela prorrogação dos mandatos.

Porém, uma resolução de 17 de dezembro determina que a decisão não vale para aqueles diretores que não se adaptaram à gestão escolar no sistema de aulas não presenciais.

Entre os critérios estão a participação dos estudantes nas aulas não presenciais, número de acessos ao sistema, desempenho, frequência e rendimento dos estudantes.

Segundo a resolução, o diretor afastado pode apresentar recurso no prazo de 24 horas após a comunicação. Não há balanço divulgado pelo governo de quantos diretores não terão os mandatos prorrogados.

Nas escolas onde não houver a prorrogação dos mandatos, a Seed vai indicar diretor e diretor auxiliar, conforme lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em outubro deste ano.

Alexandre Bezerra, diretor do Colégio Estadual Protásio de Carvalho, que fica na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), foi comunicado nesta semana sobre o afastamento. Ele criticou os critérios usados pela Seed.

“A nossa escola está situada em um bairro periférico de Curitiba. Muitos alunos são desprovidos de recursos tecnológicos, como tablet, notebooks e smartphones. Por esse motivo, o número de acessos imposto pela secretaria não foi atingido”, afirmou.

O colégio tem cerca de 950 alunos, divididos em três turnos dos ensinos fundamental e médio.

A APP Sindicato, que representa os profissionais da educação, pediu a suspensão das medidas que tiram os diretores dos colégios estaduais dos cargos e informou que vai entrar na Justiça contra as medidas.

“Neste período de pandemia não dá para desconsiderar a realidade de cada comunidade escolar e jamais aplicar uma metodologia afastando diretores de escolas de forma sumária sem que a própria comunidade escolar pudesse ter um tempo para fazer avaliação do conjunto de ações em todo o período”, disse o presidente da APP Sindicato, Hermes Leão.

As aulas da rede estadual estão marcadas para retornar em fevereiro de 2021 com modelo híbrido de ensino.

O que diz a secretaria

Por meio de nota, a Seed informou que não se trata de destituição do cargo, uma vez que os atuais mandatos se encerram no fim deste ano.

Sobre a avaliação da gestão do diretor, a secretaria afirmou que leva em conta a realidade de cada colégio e se a instituição tem boa parte dos estudantes com dificuldade de acesso à internet é avaliado o trabalho com material impresso.