Após desvio de vacinas, MP-PR apura denúncias de ‘fura-fila’ na imunização contra a Covid-19, em Apucarana

Segundo a promotoria, falsa enfermeira presa por desviar doses disse que pessoas que não tinham direito receberam a vacina no drive-thru da cidade.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) está investigando denúncias de “fura-fila” na vacinação contra a Covid-19, em Apucarana, no norte do Paraná. A apuração ganhou força após uma falsa enfermeira, suspeita de desviar vacinas, relatar irregularidades.

Silvania Regina Ribeiro, de 46 anos, foi presa no dia 15 de maio com frascos de vacina, seringas e cartões de vacinação do município, em casa.

À Polícia Civil, a mulher confessou ter desviado dois frascos para aplicação de primeira e segunda doses em uma família de Mandaguari que tem uma empresa em Apucarana.

A promotora Fernanda Silvério disse que a investigada relatou ter visto pessoas que não tinham direito recebendo doses de vacina no drive-thru da cidade, após intermédio de agentes públicos.

“Ela mencionou alguns nomes que teriam sido imunizadas sem ter direitos. O objetivo dessa investigação é improbidade administrativa por parte de agentes públicos”, disse.

O MP-PR apura ainda a contratação da falsa enfermeira, que atuava como voluntária na aplicação de doses. Segundo a promotoria, ela foi admitida sem qualquer cautela, já que não tem formação na área.

Movimentação financeira

Após a prisão, Silvania assinou um termo de quebra de sigilo bancário e fiscal. A promotora Fernanda Silvério afirmou que, com esses dados, o MP-PR apura se houve alguma movimentação financeira com as vacinas.

“Nós já estamos solicitando para as agências bancárias as informações para movimentação financeira, para verificar se existe alguma movimentação econômica que indique o comércio dos imunizantes”, afirmou.

A defesa da investigada pediu à Justiça para que ela responda ao processo em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica, justificando que a mulher não oferece risco às investigações e tem doenças. O pedido ainda não foi analisado.

O MP-PR disse ser contrário ao pedido de liberdade.

O caso

Silvania foi presa após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, após denúncia de que a mulher ofereceu, pelo WhatsApp, doses de vacina a pessoas que não fazem parte dos grupos prioritários.

De acordo com as investigações, a falsa enfermeira tinha sido admitida para trabalhar como voluntária do processo de vacinação contra a Covid-19 no município.

Segundo o MP, a falsa enfermeira foi presa em flagrante pelo crime de peculato, podendo responder também pelos crimes de falsidade ideológica e infração de medida sanitária.

Em depoimento, Silvania disse que quis ajudar uma família que a empregou em um momento de dificuldades. Ela negou que tenha recebido dinheiro em troca das vacinas.

A suspeita disse ainda que foi registrada como técnica em enfermagem por uma decisão da instituição de idosos onde trabalhou até o fim de março. Segundo ela, tudo foi acordado em uma reunião.

“Fui registrada como técnica de enfermagem por motivo de salário, financeiro, porque a base salarial de cuidador de idosos era maior do que a instituição poderia pagar. Isso tudo foi acordado em uma reunião, ninguém foi enganado”, disse à época.