Justiça aceita denúncia contra proprietárias de asilo de Maringá por maus-tratos e tortura

Juíza da 3ª Vara Criminal manteve a prisão preventiva contra uma das acusadas e determinou medidas cautelares a prisão contra a outra denunciada. Segundo o Ministério Público, dois idosos morreram em decorrência dos maus-tratos sofridos na clínica.

A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR) e tornou rés as duas proprietárias de um asilo de Maringá, no norte do Paraná, pelos crimes de maus-tratos e tortura.

A juíza Mônica Fleith, da 3ª Vara Criminal de Maringá, ainda manteve a prisão preventiva contra Sandra Kaminski e determinou medidas cautelares diversas à prisão contra filha dela, Larissa Kaminski Huss.

A proprietária e a filha dela são suspeitas de violentarem idosos que moravam na Instituição de Longa Permanência e que morreram,segundo a promotoria, devido aos maus-tratos.

Na denúncia, o MP-PR descreve diversas situações de violência física, verbal e psicológica que teriam sido praticadas pelas mulheres aos dois idosos

A proprietária do local está presa preventivamente desde o início de agosto por determinação da Justiça. A casa também foi interditada.

Recebimento da denúncia

 

A Justiça aceitou a denúncia após entender que as duas investigadas também ameaçaram pessoas que tinham conhecimentos dos fatos e expuseram às vítimas a intenso sofrimento físico e mental como forma de castigo pessoal ou como medida preventiva.

Enquanto uma das proprietárias do asilo está presa, a outra deverá cumprir as seguintes medidas judiciais: deverá comparecer em juízo mensalmente; está proibida de manter contato com qualquer um dos idosos que eram acolhidos pela clinica, assim como de testemunhas; também está proibida de deixar a comarca e está proibida de sair de casa no período noturno ou em dias de folga.

Investigação

 

O Ministério Público começou a investigar as proprietárias e o asilo após a morte de um idoso de 91 anos.

Antes de morrer, a neta desse idoso gravou um depoimento dele relatando que tinha sido agredido com socos na cabeça, asfixiado e também era dopado pela proprietária. A violência se estendia aos demais moradores do asilo.

Os relatos de maus-tratos ocorreram enquanto este idoso estava internado em um hospital.

“Na data de 5 de julho de 2021, o idoso […] havia sido dopado com medicamentos pelas denunciadas, sofrendo uma queda que resultou na fratura de seu fêmur e, posteriormente, sua morte. No hospital foi constatado que sua higiene pessoal era muito precária, sendo apurado quadro de infecção urinária e sangue na urina”, diz um trecho da ação.

A promotoria também apurou a morte de um homem de 77 anos que foi vítima de um quadro infeccioso grave, possivelmente relacionado a lesões na pele.

Testemunhas disseram em depoimento que, por ter sido advogado, as denunciadas diziam que ele estaria “pagando os pecados” por ter “ajudado muitos bandidos a saírem da cadeia”.

Quando o idoso começou a morar na instituição não apresentava feridas pelo corpo, as chamadas escaras. Para o MP-PR, isso “demonstra que as referidas lesões derivaram de sua submissão, mediante violência, a intenso sofrimento físico e mental pelas denunciadas como forma de aplicação de castigo por ter sido advogado e por supostos males que cometeu em vida, causando-lhe sua morte por sepse, úlcera de pele e pneumonia secretiva”.

A denúncia destaca que as investigadas podem ter jogado água sanitária nas feridas de pele e dado socos e empurrões na vítima durante o banho.